Texto Pessoal

Texto Pessoal || Tudo Acaba De Noite

Olá Nossos Devanienses!

Venho partilhar convosco um texto meu. Espero que gostem.

 

Tudo acaba de noite. Sim, esta noite. Estás-te a rir? Para ti é um alívio livraste de mim? Sim, eu sei disso há muito tempo. Vou-te dar um presente. Sim, um presente. De Natal, não. Um presente a sério. Já deveriam ter-te dado há muito. Deveriam ter-te dado quando estavas no ventre. Depois, eu desapareço da tua vida. Como disse, tudo acaba esta noite, não é mesmo?

O teu riso é… enfim. Deixa para lá. Já nada importa. Nada te importou. Provas isso a cada dia na tua falsidade. Não te irrites. Não vale a pena. Claro que não és falso. Tem calma. Tudo vai ter o seu fim. Não admites? Nunca ninguém te falou assim? Quero lá saber! É para o lado que eu durmo melhor. Vou dormir tão bem após te dar o meu presente.

Não fiques nervosinho. Também escusas de por o teu ar sexy. A mim nunca irás conquistar assim. Já conquistaste? É mesmo para rir. Pensa o que quiseres. Já não fazer diferença alguma.

Espera. Tem calma. Calminha. Tudo a seu tempo. Tudo no seu lugar. O fim está próximo. Nunca mais vais-me ver. Nunca mais haverão sacrifícios. Vai tudo acabar. Depois agradeces-me.

Agora tens medo? Não vai custar nada. Não resistas ao óbvio. Sim, é meio óbvio. Eu vou viver. Tu não.

 

Beijinhos

Texto Pessoal

Texto Pessoal || Hoje Não

Olá Nossos Devanienses!

Gostaria de partilhar mais um texto pessoal convosco.

 

Hoje não. Não. Não. Não. Respira com cuidado. Respira moderadamente.

Hoje não. Não. Não. Não. Não tentes dar-me a volta. Nunca conseguiste, não conseguirás agora.

Hoje não. Não. Não. Não. Vai com calma. Vai devagar.

Hoje não. Não. Não. Não. Tudo precisa do seu tempo. Tudo precisa do seu momento.

Hoje não. Não. Não. Não. Tudo precisa do seu espaço. Tudo precisa do seu encanto.

Hoje não. Não. Não. Não. Eu finjo-me encantar por ti. Só porque sim. Só porque tem de ser.

Hoje não. Não. Não. Não. Pensas que consegues tudo. Tem piada esse teu pensamento.

Hoje não. Não. Não. Não. Pára. Só pára. Por gentileza. Fica chato. Monotono.

Hoje não. Não. Não. Não.  Hoje não. Não. Não. Não.

Hoje não. Não. Não. Não. Hoje não. Não. Não. Não.

Hoje não. Não. Não. Não. Hoje não. Não. Não. Não.

 

Beijinhos

 

Texto Pessoal

Texto Pessoal || A Pele Com A Carne

Olá Nossos Devanienses!

Parece que alguém voltou a escrever um texto. Espero que gostem.

O Verão não aparece aqui. O Agosto já passou por ti? Nem por mim. O Sol não se despede com antes. O som madrugou para te acordar. Sente que tudo te queima por dentro. As ondas da tua voz não me encantam, mas eu mergulho nela. Não vamos nadar juntos. As tuas mãos nunca serão o meu Sol.

Deixa tudo arder. O Mar apaga tudo. Não mergulhes. É a minha vez. Não fiques parado. A madrugada não é eterna. Tu marcas o nada.

Tu vais cair? Talvez sozinho. Bebi do teu sangue. Lado a lado. Jovens sem fim. As tuas promessas já nem são contáveis.

Não insistas. Esquece tudo. Estás perdido no teu Destino que pensas que é nosso. Fazes-me rir. Sai dessa escuridão do teu caminho.

Se é uma despedida? Não penses tão alto. Nós só somos um Mundo já vivido. Apenas eu não fico à espera. O relógio não pára. Nada vais sentir. Vou beber mais um pouco do teu sangue. Os passos desta vida não acabam hoje.

Pelo menos, para mim. Tu e eu. Não, isso não existe. Um ciclo sem sentidos.

Eu nunca quis. Eu nunca fiz. Eu nunca vi. É assim que tem de ser. Não fiques nervoso só porque o mapa se tornou outro. Tu não sabes quem eu sou e para onde vou. Mesmo assim, foste tu quem me chamou.

O sentido oposto. Encontrarei um vício novo. Vai durar pouco como tu. Arranja uns trocos para esses bolsos. Faz o esboço. Talvez eu vá. Talvez tu fiques.

Não te deve importar para onde eu vou. Eu já vou e tu não.

 

Beijinhos

Texto Pessoal

Texto Pessoal || O Meu Caixão

Olá Nossos Devanienses (E Quem Está No Nosso Caixão)!

Hoje venho partilhar convosco mais um dos meus textos.

Cai. Já esperava. Quase certo. Nem penso na dor. Não durmo. Eu desperto e vejo tudo. Sei tudo de cor. Tudo o que dizes quando volto. Vou perder-me? Sempre e sem pudor.

Um abraço só teu. Um beijo no meu caixão. Vem. Vem . Vem. Já escolheste como me vais matar? Com essa revolta toda a fervelhar no teu sangue fraco? Com essa raiva? Estás quase perto de mais. Já tens a tua arma? Ah, sim, claro. Como me esqueci? Contigo é tudo físico.

Vai ser rápido ou lento? Só me queres matar que nem ligas aos pormenores. O teu cérebro congelado não deixa. Vem. Vem. Vem. A tua revolta fascina-me. És tão machista! Estás pronto para respirar por mim? Pois, como sabes, eu nem sempre respiro. Pensavas que isso era uma brincadeira minha? Fazes-me rir.

Não sabes mesmo com quem estás a lidar. Vem. Vem. Vem. Já escolheste o meu caixão? Ah, tu não te importas com isso. Já esperava. Porquê que me queres morta? Atrapalho-te? Faz-me rir. Sou tão querida. Como seria capaz de te encurralar? Achas que seria capaz? Até me entristeces com esse pensamento. Não, nunca.

Pára de ser tão revoltado. Anda cá. Chora de alívio novamente. Vem. Vem. Vem. Vai ser o nosso segredo. Vai sim, confia.

Pára de gritar. Estás-me a assustar. Com isto a acontecer deverias ter mais calma. Um caso como o nosso. Tem calminha. Eu sei que vou ficar aqui. Nunca vais ter o que eu não tenho. Um beijo. Pede aos Céus. Vais ser feliz.

Não precisas mais de chorar de alivio. Gritar. Stressar. Que pena ver-te assim. Rasga o meu perdão com toda a tua vontade. Eu não vou mais fugir do que és. A viagem acabou para ti. Sim, para ti. Faz-me rir. Que triste é tu viveres.

Amigos? Deixa-me rir ainda mais. És patético! É de pedir aos Céus mais inteligência para ti! Sê inteligente! O teu sangue é fraco. Tudo em ti é fraco. Cobarde. Gostar de ti? Nunca! Prefiro a tua morte. Ninguém me vai parar. Ninguém me vai perguntar. Ninguém vai saber o meu porquê. Ofereces a tua vida a bem ou mal? Não entendes, pois não? Achas mesmo que eu quero alguém como tu na minha vida?! Não prestas!

Isto que tu tens não é vida. Tu não tens salvação! Traís. A tua morte não me engana. Grito. Desespero. Choro. Sangue. Tu contaminas tudo aquilo que tocas. Cala esse teu desespero. Eu vou dar sentido à tua morte! Ninguém se lembrará de ti. Só custa no início. Vem. Vem. Vem. Não podes voltar atrás. O teu sangue será só meu. Honra os teus medos. Sabes ser fingido.

O teu sangue cai lentamente. A tua morte não custou nada. Querias a minha morte e eu tive a tua como presente. Mais uma promessa tua em vão. Nunca cumpres o que dizes! És um remendo feito à pressa. As tuas mágoas estão em repouso.

Costuma-se dizer que só é fogo se queimar. Não lamento. Agora és um segredo da tua alma desfeita. Estavas a cambalear na minha vida. A tua vida patética não fazia sentido. Fiz-te um favor. Vem. Vem. Vem. Imploraste. Gostei. Vieste com falinhas mansas. As do costume. Deliciei-me com acto de te matar. Ficaste mais miserável!

 

Beijinhos

 

Miss L

Texto Pessoal || Não Passa Dum Jogo

Olá Nossos Devanienses!

Hoje trago-vos um texto pessoal, espero que gostem.

Tu dizes que eu nunca te amei. Pois… Nunca foi como querias. Eu também não confiava em ti ao ponto de deixar que isso acontecesse. Pára! Pára! Pára!Bebeste a nossa Vodka toda. Qual é tua, minha? Estás-te a passar? A garrafa era nossa, para um momento especial e agora está no chão em pedaços. Como tu. Bebes demais. Vais acabar no chão e eu vou deixar de ser o teu Lugar Feliz. Não, não estou a ameaçar. Estou a avisar! Vou-te reencontrar. Seja aqui, no Cemitério, no Céu ou no Inferno!

Não, baby, eu não lamento nada! A culpa não é só minha. A tua saudade em relação a mim está em outro alguém. Desaparece! Pára! Pára! Pára! Estás a exagerar no tom. Não sou as tuas bitchzinhas. Bebe um pouco de água. Se tiveres sorte… Cobarde! Cobarde! Cobarde! Foste tão egoista por mim e sem mim e comigo. Não há perdão!

Tu disseste para ir ter contigo. Eu rio-me. É tarde demais. Isto para ti sempre foi um jogo. O meu coração, que nunca tiveste, foi um jogo para ti. Disseste que nunca irias brincar com os meus sentimentos. Deixa-me rir. Não sabes nada sobre os meus sentimentos. Nada! Nada! Nada!

Tudo em ti é uma mentira, até quando era verdade. Não preciso de ti na minha vida. Tudo em ti me faz rir de pena. Pena é o pior que posso sentir por ti. Não tentes falar comigo. Não vale a pena. Tu não vales nada. Adeus.

 

Beijinhos

Texto Pessoal

Texto Pessoal || Noite Fria

Olá Nossos Devanienses!

Venho partilhar convosco mais um texto meu.

A noite está fria, mas mesmo assim, nem para isso preciso de ti. És um inútil e um imbecil. Um imbeciloíde. Um pé rapado. A noite está fria, mas mesmo assim, não te vou chamar. A noite está fria, mas mesmo assim, tu não tens encanto. A noite está fria e assim vai continuar, pois assim é que tem o seu encanto. A noite está fria, menos fria do que o teu coração vagabundo. Repara, eu não coloquei a vírgula. Chamei de vagabundo ao teu coração e não a ti. Pois, tu não sabes que um simples vírgula faz toda a diferença. Tu não sabes. Eu acho-te burro? Fazes-me rir. Ouviste isso da minha boca? Não, pois não? Então, deixa-te estar no teu cantinho. A noite está fria. A noite está fria. A noite está fria. Pensavas mesmo que ias conseguir levar a tua mentira para a frente? Obrigada por me fazeres rir. Diz-me uma coisa, porquê que te matas-te depois de teres negado tudo e ela acreditado? A noite está fria e tu finalmente morte.

Beijinhos

Texto Pessoal

Texto Pessoal || O Balneário Que tudo Via

Olá Nossos Devanienses!

Hoje venho partilhar com vocês um texto que ando a escrever. Espero que gostem.

Foi ontem, dia 4 de Fevereiro de 2015, quarta-feira. Foi trágico e eu vi tudo. Vi tudo e nada pude fazer. Cecília, a tão bela Cecília. Fazíamos ontem um ano e era o seu aniversário. Fez 18 anos e morreu. Foi morta e eu nada pude fazer. Nem vi o rosto de quem a matou… ou será que vi?

O balneário do ginásio onde ela morreu é em frente à minha casa e eu nada pude fazer. A porta e as janelas do meu quarto trancaram-se ao mesmo tempo quando ela começou a ser morta e só se destrancaram quando ela morreu. Eu fui obrigada a assistir a tudo. Desde o barulho das coisas a trancarem-se até se voltarem a destrancar. Algo me prendia aquela cadeira.

Devem-se estar a perguntar como é que eu vi a minha namorada a ser morta no balneário do ginásio em frente à minha casa duma cadeira do meu quarto. A resposta é simples. Na véspera de namorar com a Cecília, eu e o meu melhor amigo colocamos micro-câmaras de filmar no balneário feminino. A Cecília só se mudou para aquele ginásio há duas semanas para passarmos mais tempo juntos. Maldita mudança!

Tínhamos combinado um jantar para comemorar os dois aniversários.

O meu telemóvel começa a tocar e eu, por segundos, desejo que seja ela, em vão, pois ela está morta. É o meu melhor amigo.

-Olá. – Atendo.

-Olá, sócio. O que estás a pensar fazer? – pergunta-me ele.

-Em relação? – não estou a entender.

-Vais mostrar as filmagens ou não? – quer saber ele.

-Não sei, meu. – deixo sair.

-Estou contigo, meu irmão. – Diz ele. – Ela era uma miúda porreira.

-Eu depois digo-te algo. Tchau. – desligo.

Rapariga porreira? Ela era perfeita! A mulher perfeita para mim.

Quem me dera que estivesses aqui agora, Cecília. Fazes-me falta a cada segundo, a cada batida do meu coração tão apertado sem ti. Amo-te. Alguma vez to disse? Agora sinto-o de verdade. O teu doce sorriso sempre lá. O teu abraço. O modo como me acalmavas. Onde está isso tudo agora? Contigo. E onde estás tu? O mais longe de mim.

Sábado será o teu funeral e eu não vou. Não quero admitir que foste embora de vez. Embora de mim. Embora no nosso aniversário. Nosso…

Começo a contar os dias sem ti? O que faço, Cecília, já que não ficaste? Como viver sem ti?!

Batem à porta. Cortam o meu pensamento.

-Filho, não queres comer nada? – a minha mãe está na porta com uma bandeja na mão.- Não comes desde ontem. Tens de te alimentar.

-Mãe…-ia começar, mas calo-me.

-Tens de comer. – pousa o tabuleiro na minha cama. – Ela era uma boa moça… – pousa a mão no meu ombro.

-Era, Mãe? – não ouso olhar para ela.

-Deus assim quis… acho eu. – ela tenta sorrir.

-Sempre me deste a entender que não tinhas a certeza de tudo…  afirmo levemente.

-Chegou uma carta para ti. Só tem o teu nome. Come e lê. Podem ser boas notícias. – com esta  beija-me a testa e sai.

Olho para o tabuleiro. Tenho de comer. A tristeza é minha, não devo arrastar mais ninguém. Pego no queque e dou uma dentada. Porém, a carta chama-me a atenção. Abro-a e começo a ler, cada vez mais depressa. A carta não faz sentido. Não faz. Não faz! As lágrimas caiem-me pela cara. Não faz sentido!

Filipe,

            Devo começar pelas presentações? Sou o teu pai e até te roubarem de mim, chamavas-te Ângelo, porque eras o meu anjo. Eras o menino mais lindo da Vila. Ainda te lembras? Eras tão pequenino. Quero contar-te tudo. Anda ter comigo ao parque. Não te preocupes em reconhecer-me, eu reconhecer-te-ei.

Germano Antunes

 

            Pai? Pai?! A Mãe traiu o Pai? O Miguel, o marido dela?

Pego no casaco preto. Vou a correr para o parque. “Deve ser engano.”, grita o meu pensamento cansado. Paro à entrada do parque. Estou ofegante. Tento regular a minha respiração Sinto uma mão dura no meu ombro.

– Eu sabia que virias, Ângelo. – disse uma voz masculina e rouca.

Encarei-o. Tão parecido como mas com feições envelhecidas.

Tiro-lhe a mão brutamente.

-O meu Pai é o Miguel. O marido da minha Mãe. Ela pode ter estado consigo. Terem sido amantes, mas ele é o meu Pai. Pai é quem cria e ele sempre esteve lá. E o meu nome é Filipe. Filipe Serval. – viro-lhe as costas.

Ele agarra-me no braço (Que falta de educação e ainda diz que é meu Pai.) e encaro-o.

-Foi o que te disseram? – o olhar dele é desconfiado. – A tua Mãe chamava-se Alice. Morreu antes de te roubarem de mim…

-O quê? – estou confuso.

-Sim, tu és adoptado. – diz ele serenamente. – Ainda tens o livro da tua Mãe “ Alice no País das Maravilhas”?

“Para o meu pequeno. Cada magia deste livro é sinónimo do meu amor por ti. Alice.”

-Sim, tenho, mas a Mãe disse-me que Alice era o nome duma tia. – penso, mas não digo, antes disso afirmo que não.

Uma mentira magoada. A primeira que disse.

-Não te queriam ligar a nós… – a voz dele é calma.

-Melhor assim. Tenho 15 anos e nunca tive notícias suas. Porquê agora?! – mostro mais raiva do que gostaria.

-Porque… – a voz dele perde a segurança. – Voltaremos a ver-nos, Ângelo. – com esta desaparece na multidão.

Deixa-me ali especado. Volto para casa cheio de dúvidas.

O meu quarto tem a porta aberta. A Mãe está sentada na minha cama com a carta na mão.

-Filho… – diz ela ao ver-me, mas não se mexe.

-Está tudo bem. – retiro o casaco e pouso-o de novo na cadeira. – Sou adoptado, mas vocês são os meus Pais.

-Mas, filho… – tenta ela.

-Eu estive com o Senhor Germano Antunes, mas já lhe disse que vocês são os meus Pais e que o meu nome é Filipe. Está tudo igual. Está tudo bem.  – respiro fundo e olho para o livro em cima da minha mesa-de-cabeceira “Alice no País das Maravilhas.”. Culpado.

-Mas, Filho, o teu Pai mo… – fecha os olhos. – morreu. O Senhor Germano morreu. – abre os olhos.

-Não, Mãe, está vivo e é muito parecido comigo ou eu com ele. Tanto faz. – finjo não querer saber.

-Ele foi dado como morto… – começa ela. – Ele foi preso e tu foste adoptado. Disseram que ele morreu na prisão. Realmente, és muito parecido com ele. – afirma. – Um truque para fugir, não sei.

-Preso?! – nem quero acreditar.

-Ele matou a tua Mãe. – abraça-me. – Desculpa, Filho. Não há nenhuma Tia Alice. – diz ela com medo.

-Eu sei… – respiro fundo. – Vocês são os meus País, só vocês.

 

*

 

O dia amanheceu cedo nesta Sexta-feira. Dois dias. Pego no livro “Alice no País das Maravilhas, tiro a carta do Senhor Germano do meio e leio-a mais uma vez. Só mais uma vez. Coloco-a no mesmo sítio e pouso o livro no mesmo lugar de sempre.

Filho dum assassino. Quem diria? Depois de ver a minha namorada ser morta, descubro que o meu Pai de sangue matou a minha Mãe. Surreal demais. No mínimo. Não pode ser a realidade. Minha pequena Cecília, acorda-me.

Não estou preparado para tanta realidade. Como lidar com isto tudo sem ti, Cecília? É isto a adolescência? Que vá para longe! Adolescência deste inferno!

Recebo uma mensagem do meu melhor amigo “Bota juízo na mente. Admite tudo, pois a culpa não é minha. Vou voltar a beber para esquecer!”. Que estranho! Não é nada dele. Tento-lhe ligar, mas está indisponível. Ele não brinca com estas coisas. Ele sabe que não sou o culpado.

O computador liga-se. Aparecem as imagens da morte da Cecília e… o César a mata-la! Devo estar a sonhar! O meu melhor amigo não seria capaz! A imagem desfoca. No ecrã está escrito “3 de Fevereiro de 2015”. A seguir, aparece a imagem da Cecília ,no balneário, envolvida com o César. Mentira! Ela dizia que me ia deixar. Por fim, aparece a frase a branco num fundo preto: Todas as mulheres traem.

Belisco-me. Não estou a sonhar. Pego no casaco preto e saiu. Vou ao parque para acalmar as ideias. Sinto uma mão no meu ombro acompanhado dum arrepio. É o tal homem de novo.

-Não é tarde para estares fora de casa, Ângelo? – a voz dele é calma.

Afasto-me dele.

-Deixe-me, por favor, deixe-me.

Quando volto a olhar, ele não se encontra lá. Será um sonho? Tudo naquela noite foi estranho desde a mensagem do César. Devo estar a sonhar, só pode. Só assim, faz sentido. Ou até mesmo maluco, mas com a de certeza de que sou bom rapaz.

Volto para casa. Continuo sem voltar para trás. Parece que vejo de relance aquele homem que se intitula de meu Pai. Engano meu. Estou sozinho nesta triste rua, nesta triste noite nua. Nem uma estrela para me guiar. Sinto um arrepio. Acho que sinto arrepios desde que vi aquele homem.

Estive tão perto do que queria. Sentia-me o Mundo inteiro, o Sol, a Lua. Agora são pedaços desta vida e do tempo. Neste momento, não passam de memórias daquela vida. Eu ia salvar a Cecília. Ela era vítima de violência doméstica pela parte da “Mãe”, o Pai nem sonhava. Íamos morar juntos, longe e com a ajuda dos meus Pais. Sendo ela maior, não haveria problema, grandes problemas.

(…)

 

Beijinhos

Texto Pessoal

Texto Pessoal || Noite do Medo

Olá Nossos Devanienses!

Se há coisa que eu adoro é dividir textos pessoais com vocês.

 

A noite. A noite está escura. Porém o medo evapora-se. Que se lixe o medo. Respiro o teu medo. Medo do que já gostaste. Medo do que irias gostar se não passasse dum grande cobarde. Sim, tu és um grande cobarde. Não és mais do que isso. É tão bom sentir o teu medo. O teu medo que se torna compreensivel lentamente. Tu estás chateado. Que se dane. Tu e todo o mundo! Vai para bem longe de mim no final! Só no final. Vai. Vai. Vai.

Não és ninguém e vou-te pisar com prazer! É só para isso que serves. Vai para lá. Vai.Vai. Vai.

A noite dá-te mais medo. Mal dormes. Depois vens com ar de durão. Não cola. Não cola. Não cola.

A noite. A noite. A noite.

 

 

Beijinhos

Texto Pessoal

A Minha Única Condição É… || Texto Pessoal

Olá Nossos Devanienses (e Minha Inspiração)!

Gostaria de partilhar convosco um texto meu.

Respira. Luz. Olhar azul. Um rosto bonito. Câmara. Acção. Isso era luz que ia embora. Abandonando a cidade. Esperando o caos. Quem me vai ajudar agora? Nada é para sempre. Isso deixa-me completamente irritada. Tentas falar. Trocamos olhares. Pegas-me na mão e dizes que me vais ajudar. Isso é mau, mas… Está tudo bem. Eu consigo ver o final. Vai ser a seguir. A minha única condição é… Diz que te vais lembrar de mim sentada com aquele vestido. O pôr do Sol é nosso, baby. Rosas vermelhas e coisas baratas era tudo que tinhas para me dar. Diz que me vais ver de novo. Diz. Diz. Diz. Ainda que seja só em sonhos. Conta-me o que sonhaste esta noite. Claro que não foi comigo. Porquê que os sonhos doem tanto? Disseste que não restavam dúvidas. As tuas mãos estão no meu cabelo. As tuas roupas estão no outro quarto. E agora o que vais fazer? A tua voz é tão familiar. Nada é para sempre. Tu só não queres estragar o cabelo. Dizes a tua amiguinha que eu fui ao quarto buscar uma coisa para te mostrar. Eu insisti. Eu estou ao teu lado a rir-me dela.

Isso é que era bom. Afasto-te de mim. Viro-te as costas. Chamas-me maluca. És mau. Vai lá ter com a tua amiguinha, ela não se importa nada de te consolar. Tão tristinho que está o menino! É só para isso que ela serve, não é?

Consegues ser mesmo imbecil no teu harém, é só isso que queres.

Escusas de gritar. Eu não vou partir tudo. Está tudo bem assim.

Beijinhos

Texto Pessoal

Texto Pessoal || Sonhei

Olá Nossos Devanienses!

Gostaria de partilhar um texto meu com vocês. Espero que gostem.

Hoje sonhei contigo. Sim, contigo. Sonhei que ias casar com uma tal Paula. Quem é a Paula? Não me mintas! Já te disse que não é bonito andares-me a enganar. Só perdes com isso. E o que interesse se é só um sonho?! Quer dizer muita coisa. É uma das tuas amiguinhas, não é? Não mintas! Fica com quem quiseres, não te estou a cobrar. Fica lá na tua liberdade, Libertino. Quem é a moça?! Vais-me mentir mais uma vez, não é? Tens muito essa mania de tentares fazer-me de otária. Dás-me razões para desconfiar! Mulherengo! Sim, escusas de dizer mil vezes que não és desses! Pára! Pára! Pára! Anda com quem quiseres. Achas que me importo? Talvez seja a altura que devo fingir encantar-me. Quem é ela?! Vais dizer ou não?! Como não sabes? Estás a mentir! Os teus lábios estão a mexer-se. Essa boca gostosa… Pára! Pára! Pára! Não dizes, pois não? Sabes sim! Vai lá ter com as tuas bitchzinhas. Tentas dominar, mas comigo não dá. Estás-me a irritar. Já chega. Já te disse que não sou tactil, nem portátil. Isto para ti não é nada de novo. Pára! Pára! Pára! És um autêntico artista, mas já deverias saber que não é isso que me conquista. Essa tua lista de amiguinhas… Mordidelas nesses gémeos… Ah, não posso? Nos mamilos? Na língua? Como não posso? Claro, mas essa Paula deve poder. Não te justifiques, detesto isso. Sabes perfeitamente o que queres de mim, mas o que andas a fazer por ai anda-te a confundir. O que dizes não sentes. Há coisas que finjo não ver. É melhor assim. Vai ter com a tua Paula. Vai. Vai. Vai. Pára. Pára. Pára. Pode ser que ela não tenha de fingir. Sim, eu sei que vocês também fingem, mas nós fingimos melhor. Tem de ser. Não queremos que fiquem tristinhos.

Beijinhos