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ENTREVISTA || SARA CANHOTO

Olá Nossos Devanienses!

 

Healthy Food & Me

 

  1. O que achas do Setembro Amarelo? Achas um tema útil a ser pensado?

Acho que todos os temos que, de alguma forma, disturbem e prejudiquem a sociedade e a saúde humana são úteis a ser pensados e apoiados. O suicídio é um deles. Infelizmente é cada vez mais recorrente e nunca é demais ajudar e apoiar quem se encontra em situações bastante complicadas.

  1. Achas que há alguma relação entre uma alimentação mais saudável e uma mente sã?

Completamente! Corpo e mente estão interligados, se um não estiver bem, a outra parte também não irá estar. A partir do momento em que cuidado do nosso corpo, da nossa “casa”, a nossa mente também irá ser nutrida e cuidada. Pessoalmente noto imenso! Quando me passei a dedicar mais a uma alimentação mais saudável, passei automaticamente a pensar mais em mim e, consequentemente, no meu estado de espírito.

  1. O teu estado espirito foi um dos motivos para mudares de alimentação ou, pelo menos, ajudou?

Espírito e físico. Com a fibromialgia, tanto a parte espiritual como a física foram completamente abaixo. Quando fui acompanhada por uma naturopata e com medicina quântica, fui lentamente mudando a minha alimentação e ganhando qualidade de vida. Passei de não conseguir fazer nada, a conseguir superar-me em diversas maneiras e após dois anos, ainda me estou a superar e a conseguir ser cada vez mais “normal” e capaz.

  1. Desculpa a redundância, mas és mais feliz desde que te tornaste vegan?

Sim! A primeira parte da felicidade veio com o facto de saber que estou a ajudar o planeta, a salvar vidas e a salvar-me, claro. A felicidade quanto à qualidade de vida veio depois. A partir do momento em que nos sentimos mais leves, mais autónomos e mais auto conscientes, somos mais felizes. Por isso, a resposta é definitivamente sim.

  1. Como Vegana, achas que a tua mudança de vida ajudou a tua saúde?

Sem dúvida nenhuma. Aliás, foi a minha salvação. Já não estava a conseguir ter vida de quem tinha os seus 20’s mas sim de quem tinha 80’s. Não abria garrafas de água, não conduzia, não dormia, enfim! Agora, estou na Dinamarca, a trabalhar, a aprender uma nova língua e a andar de bicicleta todos os dias. Não é preciso dizer muito mais, pois não?

 

  1. Há quem diga que os Veganos são urbanos –depressivos. Nada de mais errado, certo?

Acho que é só mais uma forma de nos tentar fazer de tontos e de que somos exagerados e que não vamos a lado nenhum. Não querendo ofender ninguém, quando sabemos que alguém tem razão, mas não queremos dar o braço a torcer, tornamo-nos agressivos e defendemo-nos. Penso que seja o caso. Todos sabem que o veganismo ajuda de alguma forma. Mas também sabemos que muitos não têm coragem e/ou força de vontade de tentar e de ver por si mesmo os benefícios deste estilo de vida. Agora em tom brincadeira, um vegano facilmente fica deprimido ao saber como as coisas são feitas ao nível da agropecuária, pescas e afins, será que é isso a que eles se referem? (ahaha)

  1. Mudar o tipo de alimentação, nem que seja o mais perto do Vegetarianos está-se a tornar mais importante de dia para dia para ti? No sentido em que as doenças mentais são as doenças mais comuns hoje em dia.

A meu ver, retirar alimentos desnecessários como os fumados (altamente cancerígenos) e os lácteos, já era um passo enorme e com o qual se veriam imensas diferenças. Infelizmente as coisas são feitas com base no dinheiro e não da saúde. Não vou estar aqui a dizer o porquê de se dever ou não beber leite e comer queijo, mas o ser humano tem tendência a reger-se pelas tradições e pelo “se outros fazem assim, então eu também devo fazer”, sem pensar realmente nas suas escolhas. Existe muita má informação e muita má intenção e, honestamente, a população poderia ser tão mais saudável sem estas duas situações.

  1. Como Blogger Vegana achas que tens uma mensagem mais profunda para dar devido ao que passamos hoje em dia, onde as doenças mentais são mais comuns?

Eu não acredito que tenho uma mensagem mais profunda. Cada um tem algo importante a dizer, cada um no seu contexto. Eu apenas pretendo mostrar que é fácil, fazível e que tem benefícios o estilo de vida vegano. No meu caso, tenho o exemplo da minha doença cronica que neste momento está controlada, sem quaisquer medicamentos. As doenças mentais não são diferentes. Corpo são, mente sã.

  1. Quais são, na tua visão, os factos chave para prevenir o suicídio?

Nunca estive nem conheci alguém numa situação semelhante, mas penso que apoio e estabilidade psicológica e emocional são os mais importantes. Hoje em dia, vivemos em constante pressão e contra o relógio. Temos de trabalhar para sobreviver, mas ao fazer isso, deixamos de ter tempo para viver, para nos nutrir e cuidar e para aproveitar realmente a vida. É um ciclo vicioso. Ao não se ter tempo, não queremos perder ainda mais a pensar no que devemos fazer para cuidar de nós, estando a alimentação incluída. Neste momento, as coisas estão feitas para se sobreviver e não viver.

  1. Que mensagem queres deixar aos Leitores sobre a prevenção do suicídio e da sua ligação com o Veganismo e Vegetarianismo?

Que para além de muitos médicos e entidades supostamente “conceituadas” não aprovarem técnicas e estilos diferentes, sejam mente aberta. Ninguém sabe tudo! Ninguém tem razão em tudo! Mas quando há evidências de algo, devemos pesquisar e tentar perceber se realmente faz sentido, pela nossa cabeça.

Existem cada vez mais pessoas que saíram do fundo do poço através de mudança no seu estilo de vida: alimentação e tempo para se cuidar (mental e fisicamente). Nós não existimos neste momento apenas para cá estarmos. Cada um tem uma função e uma infinidade de possibilidades a serem exploradas. A sociedade está decadente, mas não temos de ir atrás dela!

Aconselho que comecemos a pensar pela nossa cabeça, por fazermos escolhas a partir do que realmente precisamos e não do que devíamos precisar. Menos é mais! E o nosso corpo até é bem fácil de cuidar: repouso, comida que realmente precisa e tempo de abstração/foco.

Se te encontras numa situação complicada e sentes que não consegues sair dela, pede ajuda. Ninguém consegue viver sozinho. Somos seres que precisamos de ajuda, vivemos em comunidade. Tudo se resolve, menos a morte. Há que ser corajoso durante alguns segundos e dizer “não estou bem, podes ajudar?”. Isto aplica-se a amigos, família ou médicos. Dirige-te a alguém em quem confies e confia que essa pessoa te queira ajudar. Não é fácil pedir ajuda, é tão mais fácil fingir que não existimos e que o tempo passe, na esperança de algo mudar, mas não muda.

Não desistas de ti, tu vales a pena, acredita, mesmo que não o vejas. Força!

 

 

 

Muito obrigada por esta oportunidade, estou mesmo muito agradecida!

 

Blog: https://www.healthyfoodandme.com/

Instagram: https://www.instagram.com/sarapcanhoto/

 

Beijinhos

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ENTREVISTA AO GAROTO || BLOGGER

Olá Nossos Devanienses!

 

Relatos de um garoto de outro planeta

 

  1. Primeiramente, poderia comentar um pouco sobre o blog Relatos de um Garoto de Outro Planeta e as suas motivações para criar ele?

R: Olá! Primeiro agradeço a oportunidade desta entrevista, de poder dar meu depoimento e divulgar meu trabalho.

 

O meu blog começou em meados de 2017 apenas em forma de página do Facebook e só no final do ano passado transformei em um site propriamente dito.

 

Esse nome veio por conta da sensação de não ser compreendido pelas outras pessoas, me sentia alheio, como se eu de fato vivesse em outro mundo.

 

O blog passou por muitas transformações, no início era uma espécie de diário virtual sobre minha vida lidando com a depressão e o transtorno bipolar. Evoluiu incorporando Psicologia, quando descobri meu amor por essa ciência, e atualmente acabou se tornando mais leve em que além de reflexões sobre questões profundas e dolorosas, também falo de assuntos divertidos como cultura pop, leitura e outros.

 

Ele é um verdadeiro reflexo das transformações da minha psique nesses anos.

 

  1. Você estuda Psicologia? Se vê como uma autoridade aos seus leitores?

R: Eu estudo Psicologia como autodidata por meio de livros já tem um tempo e tenho planos de iniciar a graduação assim que tiver condições.

 

Não me considero menos estudante por causa disso, por isso falo abertamente que sou um estudante da área sem nenhum eufemismo, independentemente de estar ou não matriculado em um curso.

 

Porém, para evitar mal entedidos eu removi “estudante de Psicologia” da minha biografia do Blogger e coloquei “amante de Psicologia”.

 

No blog, não procuro ocupar uma posição de autoridade. Eu prefiro me ver como um paciente se relacionando com outros pacientes, uma relação horizontal.

 

Conto minhas vivências enquanto portador de transtornos mentais, minha relação com bullying e traumas. Quando fui convidado para esta entrevista, comentei que gostaria de ser entrevistado como paciente e não como alguma autoridade da área de Psicologia.

 

 

  1. Porque prefere esta abordagem mais horizontal?

R: Eu acredito que quando sobreviventes dão seus depoimentos, as pessoas que sofrem com esses problemas conseguem se sentir motivadas a não desistir. Se sentem abraçadas e compreendidas, amparadas.

 

Falo por mim, nos momentos mais depressivos da minha vida, assistir vídeos de pessoas que já tinham passado por depressão e sobreviveram foi de grande ajuda.

 

Quando estamos em um episódio depressivo, a vida é tão, mas tão sem tempero, sem cor e sem perspectiva que é comum acreditarmos que jamais vamos ser capazes de ser felizes novamente. Só que isso é uma ilusão, uma ilusão causada pela doença, é possível melhorar, existem saídas!

 

Conhecer pessoas que sobreviveram a isso, mesmo que virtualmente em um blog ou canal do Youtube, acaba ajudando a nos dar esperança nesse sentido.

 

  1. O que significa para ti o Setembro Amarelo?

R: O Setembro Amarelo é uma época muito importante para mim porque eu tenho problemas de humor desde criança e tenho transtorno bipolar diagnosticado há um tempo. Na minha família esse diagnóstico é comum e também foi comum por muitos anos a negligência e a desinformação a respeito de saúde mental nesse ambiente.

 

Por conta disso considero que campanhas de conscientização são muito importantes. Elas mostram para as pessoas que elas precisam se atentar a essas questões e dessa forma salvar vidas.

 

  1. Conte-me um pouco sobre a sua relação com depressão e suicídio. Você já teve ideação suicida?

R: Sim! Eu já tive diversas vezes, mas é algo que está bem controlado.

 

Como comentei anteriormente, eu sou diagnosticado com transtorno afetivo bipolar e tenho problemas de humor desde muito jovem. Eu via a vida de uma forma cinza. Não sentia prazer em nada, não tinha paixão, eu achava que viver era isso, se contentar com um mundo de desprazeres e sem propósito.

 

Minha falecida avó achava esquisito meu comportamento comparado à outras crianças e sempre comentou que eu parecia não ter muita energia, como se tivesse algo de errado comigo. Acho que ela estava certa.

 

Esses problemas foram se agravando com o passar dos anos e precisei buscar ajuda profissional. Já faço tratamento há mais de 3 anos.

 

Quando cheguei no extremo de buscar ajuda, eu estava totalmente incapacitado pela depressão. Eu não conseguia me levantar para ir para o trabalho. Muitas vezes cheguei a faltar por não ter energia para levantar da cama.

 

Pequenas atividades se tornaram dolorosas. Desde simplesmente comer, pegar o garfo levar até a boca e mastigar, até escovar os dentes e tomar banho. Eu ia me arrastando até o banheiro e fazia tudo devagar.

 

Foi muito desagradável quando comecei a aparecer na empresa abatido e desarrumado, com a roupa amassada e cabelo despenteado. Eu não conseguia disfarçar que havia algo de errado comigo e era doloroso aparecer tão vulnerável na frente dos outros.

 

Permanecer vivo doia como se eu estivesse em carne viva. Eu já não queria mais. Eu queria acabar com essa infelicidade, esse pesadelo sem fim. Eu não aguentava mais chorar escondido e, ao acordar, ainda estar aqui.

 

Todas as vezes que eu pensei em suicídio foi tendo em mente isso: uma forma de tentar encontrar uma saída para uma vida tão sem prazer, sem cores e sem paixão.

 

Estou era incapaz de enxergar outras alternativas. Se a vida é isso, eu não queria mais viver. Não cheguei a consumar o ato porque quando cheguei próximo disso, um amigo me ligou e ficou conversando comigo por telefone durante a madrugada.

 

A depressão é devastadora porque é isso, ela vai tirando aos poucos a sua capacidade de sentir felicidade e bem estar em qualquer atividade, até que chega um momento que você se sente um morto-vivo. É uma questão de saúde que demanda intervenção e tratamento!

 

  1. Qual a diferença entre transtorno bipolar e depressão?

R: depressão e bipolaridade são transtornos de humor. A diferença é que bipolares além de vivenciarem episódios depressivos também vivenciam episódios eufóricos que são caracterizados por uma elevação muito fora do esperado e prejudical do humor, uma espécie de depressão às avessas.

 

É uma doença muito complexa com uma infinidade de sintomas, essa minha explicação é só a ponta do iceberg.

 

Eu sou diagnosticado e faço tratamento há mais ou menos três anos.

  1. Qual é a tua visão da saúde mental? Achas que ela está relacionada com suicídio?

R: Sim, está relacionada. Cuidar da sua saúde física e mental com certeza te previne de depressão e outros problemas mentais e psicológicos e consequentemente de suicídio. É uma coisa que deve ser exercitada sempre, mesmo quando acreditamos que estamos saudáveis.

 

Fazer terapia é uma coisa benéfica até mesmo para pessoas sem um diagnóstico, mas existem outras coisas que também são beneficas como ter um hobby que te deixe apaixonado e engajado, ter uma relação mais saudável com a internet, cuidar da sua alimentação, etc.

 

  1. Como podemos ajudar alguém que está a pensar suicídio através da Psicologia?`

R: A principal forma é por meio de psicoterapia. A Psicologia tem muitas abordagens diferentes, cada uma olha as questões e o ser humano sobre uma perspectiva e nenhuma delas tem uma resposta pronta para as coisas, infelizmente

 

Isso significa que o foco do tratamento para um paciente não necessariamente será o mesmo para outro. São tratamentos bem personalizados.

 

Se a pessoa sente que pode estar com depressão, é importante que ela procure um profissional de saúde mental para avaliar o seu caso (psiquiatra ou psicólogo/psicoterapeuta). Muitas vezes também é necessária a utilização de medicamentos e o tratamento mais completo e com melhores resultados combina tanto as drogas quanto a psicoterapia.

 

Tem alguns textos no meu blog com dicas que podem ajudar: dicas sobre tratamento com psiquiatra, dicas sobre tratamento com psicólogos/terapeutas.

 

  1. Um Aluno de Psicologia nunca vai querer suicidar-se ou é muito redundante?

R: Pode sim, todo ser humano está sujeito a passar por isso e psicólgoos não deixam de ser. Eles tem problemas psicológicos como todo mundo e também precisam se tratar. Aliás, é bastante indicado que psicólogos façam psicoterapia e análise.

 

  1. Sabermos mais sobre a saúde mental da nossa pessoa ajuda a que não tenhamos ideias suicidas?

R: Informação é sempre bem-vinda e pode ser uma arma poderosa de prevenção, porém é importante falar sobre suicídio de forma responsável tomando cuidado com gatilhos que podem desencadear crises nas pessoas.

 

Existe um fenômeno chamado Efeito Werther que ocorre quando um caso de suicídio é noticiado ou retratado (mesmo que de forma fictícia) e acaba incentivando que as pessoas cometam o ato.

 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem algumas recomendações sobre como abordar o tema sem provocar esse tipo de coisa. Algumas delas são não divulgar detalhes do método utilizado no ato, não divulgar as cartas de suicídio, entre outros.

 

  1. Que conselho tens para quem pensa suicidar-se?

R: Pode parecer que não e você provavelmente está incapaz de enxergar, mas pode ser que haja uma saída além dessa. Existem pessoas que passaram por isso e sobreviveram, você também pode conseguir! Busque ajuda!

 

 Acesse: http://relatosdeumgarotodeoutroplaneta.blogspot.com

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ENTREVISTA || GAROTO DE OUTRO PLANETA

Olá Nossos Devanienses!

 

Garoto de outro planeta

 

Hoje tenho a enorme honra de entrevistar um rapaz que não acredita em Astrologia, mas o seu signo é de Virgem e o ascendente em Virgem. Ou seja, super Virginiano. O que quer dizer que nasceu entre as seis e um da manhã e às oito. Bem madrugador. Só um Virginiano para escrever “Sou muito detalhista e perfeccionista e além de escrever eu pretendo ilustrar já que sou uma pessoa muito visual.”. Segundo pesquisei esta junção traduz-se em ” Possui(r) uma aguçada inteligência prática, é muito organizado e gosta de trabalhos que exijam disciplina, análise e pesquisa. A profissão é um aspecto muito importante na sua vida, e se preciso for dedica-se a ela de corpo e alma.”. Por outras palavras, o seu maravilhoso cantinho.

O Garoto de outro planeta é um Blog que descobri recentemente e que mais parece uma droga. Eu juro de coração, estou muito viciada. Ao menos, é uma droga saudável. E a ressaca é amenizada com a leitura de outro artigo e outro a seguir e outro e mais outro. Aconselho vivamente como já tinha referido antes.

Meus Devanienses, fico tão vidrada em todos os artigos. Entrevistar o Garoto de outro planeta é algo tão fantástico.  E tem um poema que amo particularmente:

 

 

É fantástico como escrevemos coisas tão incríveis quando estamos longe do nosso melhor estado. Eu posso falar pelo “Dois Cinco” que foi um desabafo tão bom, não tirei toda a dor de mim, mas ajudou muito. Dizem que é intenso e profundo. Era o que estava dentro de mim na altura. Ainda está, mas mais organizado. Como sabem sofro de ansiedade e acho que a escrita ajuda imenso a organizar a cabeça. Estou-me a descobrir nas aulas de Psicossociologia no Trabalho. Soube que quando choro de raiva estou a ser agressiva passiva. A Louca dos Signos diz que não tem culpa de ter Marte em Peixes.

Francisca, eu não falo só de mim.  Falo o suficiente para quem tem Ascendente em Leão. Francisca, come o teu CheeseBurger. Produção, eu mereço que a Francisca diga que falo muito de mim? Não, pois não? Logo eu que sou tão maravilhosa e raramente falo de mim, Francisca. Sou uma pessoa tão linda e tu falas isso de mim? Posso fazer, de facto, umas pontes, mas quem não faz? Francisca, come outro CheeseBurger. Posso-te contar um segredo? Os Devanienses acham que és bem cheiinha, por comeres tanto neste teu posto de trabalho. A realidade é que a nossa querida Francisca, afinal de contas, se formos a ver, nunca fez uma dieta verdadeiramente. Com o seu metro e sessenta não se considera nem gorda nem magra, assim para o jeitosinha. Come o CheeseBurger, Francisca. Produção, a Francisca está-me a irritar. Sagitariazinha…

Acho que posso dizer que estes poemas mais… qual é a palavra, Francisca? Desoladores, grata. Estes poemas mais desoladores são fruto disso. Da ansiedade que ele tem dentro dele. Um pequeno-grande monstro. Eu não sei traduz muito bem, só sinto. O que é calma? Não sei. Quem seria eu sem a ansiedade? Quem seria o Garoto sem ansiedade? Não seriamos nós mesmo e talvez não escrevêssemos com a profundidade que o fazemos. Eu não me imagino sem ansiedade. Sempre fui assim.

 

 

Eu vejo este poema como fruto da ansiedade. Só o Garoto sabe se estou certa, mas eu estou sempre certa. Esta entrevista é, digamos, demasiado marcante e importante para mim. Estou mesmo feliz por partilhar este trabalho convosco, devido ao facto dele ser alguém muito talentoso e ao mesmo tempo tão… não sei a palavra sem parecer maldosa, ia escrever destruído pelo passado (posso ser tão mal interpretada), porém tem uma energia tão boa na sua escrita. Quem não estaria magoado ao passar pelo mesmo que ele passou? E acredito que ele não conta tudo. Ele transforma tudo isso em arte. Seja escrita como em desenho. Fabuloso. Simplesmente fabuloso. Eu, pessoalmente, adoro. Caso contrário, não estaria sedenta por mais um artigo e outro e outro.

O Garoto parece ser um ser tão incrível. Dá vontade de o colocar num frasquinho para o afastar do Mundo cruel. É sério. Uma verdadeira gracinha. Esses e outros motivos que eu não consigo transmitir para escrita fizeram adorar o seu trabalho. Já estou a desenvolver projectos com os outros três meninos maravilhosos que escrevi no artigo. Com o Garoto não poderia ser excepção. Pensei no que poderia fazer com ele em termos de trabalho e surgiu a ideia deste projecto. Sabiam que há gatos noutro planeta? O Garoto adora gatos. (Tinha de fazer este trocadilho. Desculpa, Francisca.)

 

 

Venham comigo conhecer este ser maravilhoso (pelo menos, do que aborda nos artigos, ainda não tive a honra de o conhecer pessoalmente.) numa sequência de dez perguntas. Tentei não ser invasiva, mas isso depende da interpretação de cada um. Gostei bastante das respostas. Não perguntei se o planeta dele é esférico como o nosso ou plano. Fica para a próxima. Convosco: A entrevista ao Garoto de outro planeta.

  1. O que nos tens a dizer sobre o Garoto de outro Planeta? Sempre teve este nome? Como surgiu e quem está por trás dele?

Primeiro veio o nome do blog. Eu me inspirei em O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince) do autor francês Antoine de Saint-Exupéry que foi um livro que marcou muito a minha infância, nele o príncipe vive em um planetinha isolado. Eu me sentia muito desconectado e incompreendido, como se eu fosse de outro planeta. Então este acabou virando o nome do blog e o pseudônimo ficou “Garoto de Outro Planeta” mesmo.

 

Quando às vezes precisamos escolher não continuar mesmo amando

Primeira pintura digital do Garoto de outra planeta

 

  1. O teu alter ego ‘Garoto de Outro Planeta’ é diferente do teu eu na vida real?

Não, eu sou exatamente a mesma pessoa que eu demonstro ser no blog na minha vida fora dele. Eu só utilizo pseudônimo porque eu desejo ser psicólogo da abordagem Psicanálise no futuro e para isso é importante que eu não tenha muitas informações pessoais minhas disponíveis publicamente na internet. Na Psicanálise é importante a neutralidade do terapeuta/analista e que o paciente não tenha acesso a intimidade do seu terapeuta.

 

  1. Digamos que a tua descrição é um pouco diferente. O que te levou a escrevê-la? Necessidade que te entendessem? De “aceitação”?

Todos desejamos sermos compreendidos e pertencer. Acredito que o meu blog atrai outras pessoas que se sintam ou já tenham se sentido como se fossem de outro mundo.

 

 

  1. Sabes que adoro o teu trabalho, transmite boa vibe, profundidade, sentimentos e zero medo do que pensa. Sentes-te melhor depois de escreveres um artigo? O que sentes a escrever?

Escrever é terapêutico para mim, eu sinto que organizo meus pensamentos e sentimentos colocando os para fora em formato de texto, artigos poemas ou desenhos. Para a Psicanálise, abordagem da Psicologia que eu mais estudo, escrever, desenhar e outras formas de arte tem um caráter projetivo. Ou seja, quando escrevo eu projeto meu inconsciente nos textos e dessa forma consigo ter uma consciência melhor das coisas que se passam na minha mente. Essa é a primeira e principal função do blog para mim, então mesmo que ele não tivesse atingido o sucesso que atingiu nesses primeiros meses no ar, eu continuaria escrevendo e alimentando ele por conta desses outros benefícios.

 

  1. É normal que alguém tão talentoso receba um haterzinho em qualquer profissão. Já te aconteceu? Como lidas?

O máximo que me acontece é de vez em quando receber comentários vazios e genéricos nas redes sociais de pessoas criticando ou discordando dos meus textos, mas claramente sem tê-los lido (consigo perceber porque as pessoas alegam coisas que já são respondidas nos textos). Só que é uma quantidade bem pequena de pessoas que fazem isso, não chega a ser um problema.

 

 

  1. Tudo que li teu, nem parece real. Fico a pensar “Ele passou mesmo por isto? Em que Mundo estou?”. Passaste mesmo por tudo isso? Que conselho dás a quem passa pelo mesmo?

Passei sim, tem muitos relatos da minha vida no blog, mas tem muitas pessoas que já passaram por coisas parecidas e até piores, infelizmente, mas o que importa é que sobrevivemos.

 

  1. O que podemos esperar do Garoto de outro Planeta? Muitas novidades?

Eu estou uma bomba criativa, tendo ideias a todo instante. Pretendo continuar com o blog sim. Estou estudando novos quadros, mas nada que eu possa confirmar ainda. Eu desejo escrever um livro e estou estudando para me aperfeiçoar nisso, é um projeto de longo prazo. Quando a ideia surgiu, eu imaginei que eu concluiria o livro ainda este ano, mas ela foi amadurecendo e decidi que preciso de mais tempo, mais estudo, mais vivências. Então não sei quando ele vai sair, mas um dia publicarei. Não tenho pressa, as melhores coisas são feitas com cautela e planejamento, não é?

 

  1. O que te levaria a desistir do teu trabalho de Blogger? Imaginas-te como Blogger daqui há uns 5 anos?

Não só me imagino como blogger daqui há 5 anos como também me imagino sendo co-autor de outros blogs. Coisas que estou estudando com alguns outros amigos blogueiros. Acho que encontrei realmente uma coisa que gosto de fazer, uma paixão, e não pretendo abandonar. Me imagino um senhor idoso escrevendo e produzindo conteúdo para a internet.

 

A imagem pode conter: desenho

 

  1. Achas que deverias ter começado este trabalho mais cedo? Eu sei que escrevias antes de ter Blog. Seria mais fácil para ti lidar com o que sentias se partilhasses mais cedo?

Sinceramente, não sei. Tecnicamente, meu blog existe desde 2017, mas apenas como fanpage no Facebook que acabou evoluindo para um website mesmo. Então já faz uns 2 anos que tenho ele. Antigamente eu não tinha condições nem autoconfiança suficientes para me comprometer em um projeto desses, então acho que precisei resolver algumas questões antes de poder começar algo assim. Resumindo: acredito que comecei o blog no melhor momento.

 

  1. Que conselho darias a quem quer começar o trabalho de Blogger?

Não deixe que as obrigações e cobranças tirem sua paixão por criar. Acho que isso se aplica a qualquer tipo de trabalho, não só o de blogueiro. Obrigado pela entrevista!

 

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Fico muito, mas mesmo grata por ter feito esta entrevista. Conheci um pouco mais do Garoto e fiquei ainda mais deslumbrada. Foi bastante prazeroso desenvolver este artigo. Claro, ser Digital Influencer, no caso Blogger, respeita uma das Regras Principais da Ergonomia: Adaptar o trabalho ao Homem. Adorei mesmo. Caso contrário, nem sairia, não é mesmo?

Estás curioso para ler mais sobre este Garoto (literalmente) de outro planeta? Isso é tão simples, basta acederes ao Blog dele. A única coisa menos boa do trabalho dele é ter poucos artigos. Aqui entre nós que ele nem vai ler: Já li todos. Não contem. O meu artigo favorito é “‘Me vinguei de quem me chamava de feia, ficando linda’ (Reflexão)”. Tão profundo, intenso e arrepiante. Não estou a fazer nenhuma analogia, mas os amantes de filmes de terror como eu vão entender. Sabem aquela sensação de estares a ver um filme de terror tão bom que sentes na tua pele a raiva da história ou estória (Dependendo se é baseado em factos ou não – normalmente é marketing)? Foi o que senti. Todos os filmes de terror têm a sua raiva intrínseca.

 

 

Ler o artigo deu vontade de abraçar o Garoto e dizer que tudo já passou (nunca passa na nossa mente). Juro, a escrita é tão boa que eu senti arrepios. Já li que quando abraçamos uma criança devemos ser a última pessoa a larga, pois não sabemos o quanto ela está a precisar. Todos temos uma criança dentro de nós à espera de ser alimentada de amor.

Foi bom e ao mesmo tempo tão bloqueador escrever este artigo, porque, como sabem, sofro de Alexitimia, medo de expor os sentimentos. Escrever este artigo fluiu muito bem, mas ao mesmo tempo rasga. Fruto de tanta coisa… Talvez por isso, algumas partes deste artigo possam ser mal interpretadas. Sinceramente, eu nunca sei a cem por cento o que sinto. Sei que me arrepiei ao ler muitas coisas que o Garoto escreveu. Exteriorizar de forma clara é mais difícil e esse difícil é que rasga.

Acima de tudo, espero que tenham gostado tanto como eu de conhecer ainda mais o Garoto de outro planeta ou pela primeira vez. Com toda a certeza, fiz os possíveis para ser entendida. Não apenas como Blogger, mas também como leitora do trabalho do Garoto de outro planeta. Visitem-no, vão ficar completamente apaixonados pela arte dele como eu fiquei. Gostaria de ter conhecido esta droga mais cedo…

Beijinhos