Sociedade

A MAIOR FRUSTRAÇÃO || DUMA EX-COMERCIAL

Olá Nossos Devanienses!

 

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Vamos por pontos, tu não precisas de entender uma profissão para respeita-la. Respeita-a, apenas. Não precisas de considerar uma profissão, mesmo ela sendo uma, mas respeita-a. É banal não respeitar o trabalho do outro e ainda dizer que se respeita. Não gostas do facto da Cristina Ferreira ganhar mais do que tu? Não precisas de lutar como ela lutou, mas respeita-a.

Se queres denunciar um trabalho, faz por plágio. “Mas ela disse que a Terra não é plana, vou denunciar tudo dela para ela não poder mais divulgar.”. Ela vai continuar a dizer que a Terra não é plana. Não denuncies, bloqueia e não vês mais o trabalho dela. Simples. “Mas ela disse que Moçambique não precisa de dinheiro como a Catedral de Notre Dame, aquela igreja, mas sim de comida e mudanças políticas positivas. Vou denunciar aqui no Facebook todos os artigos que ela divulgou e teve bastante trabalho a escrever para o Facebook bloqueia-la e prejudica-la.”. Apenas bloqueei-a e não vês mais os artigos.

É uma questão de educação saber respeitar o trabalho alheio. “Mas ela disse que ninguém come dinheiro, está a ir contra ao que eu penso.”. Se não tiveres onde comprar comida, de que te serve o dinheiro? “Mas se eu a criticar e denunciar, ela vai parar.”. Não vai. Simplesmente, mostras que não tens educação.

 

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Na disciplina de Psicossociologia no Trabalho, a Formadora pediu-nos para fazer um trabalho individual. Eu aproveitei o feriado do 25 de Abril e realizei-o. Escolhi o tema “Frustração no Trabalho e as suas reacções”. Já enviei à Professora. Para quem não sabe, já fui Comercial, tanto D2D como de Call-Center. Adorava lidar com o público tão diversificado, mas havia uma coisa que eu detestava: a falta de educação deles ao não respeitarem o meu trabalho.

Vou deixar aqui o meu artigo que irei apresentar à turma no dia vinte e dois deste mês, uma Quarta-feira. Espero que este trabalho ajude, pelo menos, uma pessoa a respeitar este trabalho e outros.

Durante anos, eu fui Comercial, tanto D2D ( Door to Door – Porta à Porta) como em Call-Centers. Eu adorava o que fazia, mas tinha uma grande frustração: a falta de respeito em relação ao meu trabalho em relação ao meu trabalho. É tão banalizado hoje em dia.

O “não” é garantido. Eu sempre gostei mais de trabalhar na área da electricidade. Tanto como D2D como em Call-Centers. Trabalhei para Fenosa (não voltaria a trabalhar, pois actualmente não acredito no produto), Iberdrola e Gold Energy. Não trabalho com produtos dos quais não confio. Nunca trabalharia na EDP Comercial.

 

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Trabalhar no ramo da energia é mais fácil do que no ramo das telecomunicação. Basta não ter fidelização. Facilita imenso o nosso trabalho. Claro que há, como eu chamo, “a Ceita da EDP Chinesa”. As pessoas não tinham nada a perder em mudar, o preço era mais acessível. A luz é a mesma e a assistência também. Nem é mais claro, nem mais escura. É a mesma. Há quem entenda, há quem não entenda e é livre disso.

“Mas eu já estou habituado à EDP.”. Porque quiseste. A EDP Universal foi vendida a Chineses e passou a EDP Comercial. Habituaste à EDP Comercial como te poderias habitual a qualquer outra. A Direcção é diferente. A maneira de trabalhar é diferente. É tudo diferente. Cada pessoa é diferente e pensa de maneira diferente, logo vai lidar e trabalhar na empresa de maneira diferente.

Nunca tive medo de admitir que era Comercial. Nunca tive vergonha. Gostava do que fazia. Não era melhor ou pior do que ninguém por isso. Não negava trabalho.

 

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É trabalho por si só desgastante e stressante, simplesmente porque não há respeito. A educação vem de casa e brincar com o trabalho do Comercial é banal. Descarregar num Comercial é banal. Foi o que a Sociedade lhes ensinou.

Uma dia chorei. Sim, eu chorei. Parei dez minutos de trabalhar, porque chorei. Fui abaixo. Um Cliente disse que ia fechar comigo no dia seguinte. Liguei. Contava com aquele Cliente. Sempre escolhi trabalhar à comissão. Até quando tive possibilidade de trabalhar com salário base. Receber o proporcional ao meu trabalho. Liguei no dia seguinte. Ele disse as seguintes palavras e riu-se no final “Eu ontem à noite fui à loja e fechei contracto. É a mesma coisa não é?”. Despedi-me educadamente e chorei. Eu que detesto chorar em publico. Chorei. Brincou com o meu trabalho. Podes não considerar um trabalho, mesmo sendo, mas respeita.

Já me gritaram. Já me insultaram. Respirei fundo e continuei. Não tenho culpa da educação deles. A educação vem de casa.

Tive uma Chefe de Equipa que gritava comigo enquanto eu estava em chamada. Mudei de empresa. Trabalhos não faltam, há falta de empregos.

 

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Um Cliente estava a desabafar sobre o facto de ter sido mal atendido pela empresa que eu representava. Desliguei o meu microfone para não o interromper. O Cliente no final disse que eu não ouvi e que estava a falar com a minha Colega do lado. Eu não tinha nenhuma Colega ao meu lado. A minha Chefe de Equipa dessa empresa chamou-me e discutiu comigo. Questionei se me poderia explicar e ela disse que não. Aceitei e fui para o meu lugar.

Outro Cliente discutiu comigo porque eu não insisti com ele. Que se eu trabalhasse à comissão que iria insistir com ele como os meu Colegas fazem. Que esse era o meu trabalho. Que era uma má profissional. Porquê que eu vou insistir com alguém que não quer ou não pode, se posso despedir-me da pessoa com educação e tentar com outra pessoa que realmente queira e possa? Vou “queimar” o Cliente quando posso tentar mais tarde?

Não vale a pena colocar todos no mesmo saco. Há bons e maus Comerciais. Como em tudo. Ninguém brinca com o trabalho dum mau Comercial. Eles sentem quando o Cliente os vão enganar.

Ninguém gosta que brinquem o próprio trabalho, mas brincar com o trabalho do outro não faz mal. É o que a maioria pensa. Foi assim que aprenderam a ser.

 

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É uma profissão muito desrespeitada. Não és obrigado a adquirir, mas respeitar é o mínimo. São apelidados de “chatos”. É o trabalho que arranjaram em vez de ficarem em casa. É de valor. Tem muito valor.

Os Comerciais de rua, nem do Call-Center não são diferentes dos da loja. Se tiverem de enganar, enganam. Um Neto pode enganar o Avô. Isso é uma característica da pessoa e não do trabalho. Os de rua e dos Call-Centers não são licenciados e os da loja têm o mestrado. Estou a ser irónica. Como eu, tinha Colegas que não cruzaram os braços. Tive uma que tirou o curso de Criminologia, outra tinha de Educação Física. E estavam ali a trabalhar. A lutar pelas suas contas. Não era para enganar ninguém, nem serem enganadas.

A falta de respeito por parte dos Clientes foi a minha maior frustração!

Beijinhos

 

4 thoughts on “A MAIOR FRUSTRAÇÃO || DUMA EX-COMERCIAL

    1. Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
      Fui Comercial até ao dia 30 de Março de 2018 e nunca tive a perspectiva de tivesse a ganhar reconhecimento e a admiração que merece. Mas até hoje pode estar a acontecer isso.
      Beijokitaz

    1. Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
      Coruja, não gostar do que se faz é muito mau 🙁
      Não respeita, porque foi educado assim…
      Beijokitaz

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